21/10/2007

Acontecimento do Ano: parte II

(Pequeno aparte: no dia 05 fomos sendo seguidos/fomos seguindo o dia todo por uma família que também estava na residencial. Fartámos de especular se seriam convidados do casamento. Não eram, mas à noite apareceu um casal convidado, que ficou no quarto em frente ao nosso e até me ajudou a configurar o GPS emprestado do meu irmão, obrigado CG)


O dia começa cedo. Pronto, mais ou menos cedo. 09h00, serve? Tenho que relembrar que era sábado de manhã de um fim-de-semana grande? Não, pois não?

1. Depois de se arrastarem para longe dos lençóis, Sr e Sra. Headache partem em busca do cabeleireiro que a noiva gentilmente tinha marcado. Mas que não sabia onde ficava.

Ora pois...

Bom, mas lá partiram com a indicação dada pela recepção da residencial. Ei-los chegados ao dito cujo salão um minuto antes da hora indicada: 09h29! Começa a lei de Murphy em acção...

2. Veio-se a descobrir que o salão funciona a velocidade de província: devagar devagarinho. O conceito de multitasking é ainda uma raridade, e a moça que vai fazer a manicure é a mesma que acaba a fazer o cabelo --> mais tempo consumido. Resultado final: deveríamos estar na santa aldeia de Ribas às 10h30. Saímos do cabeleireiro às 10h45. Boa. Uma grande, grande vantagem deste cabeleireiro: sabendo que os homens hão-de esperar imenso tempo pelas suas respectivas nele (devido à já referida estonteante velocidade de trabalho), havia "n" revistas de carros na zona de espera. Isto é um ponto positivo, minhas gentes! Cabeleireiros de Lisboa, aprendam!

3. Um rápido regresso à residencial para vestir a roupinha (e que bonitos que eles estavam, não desfazendo), maquilhagem*, sapatos, etc. Munidos do GPS, partem pelas 11h10 para Ribas. Apenas 5 kms desde Montemor, dizia o GPS. Pena os GPSs não terem inteligência artificial...

4. ... porque o sacana do aparelho mandou-os por um verdadeiro caminho de cabras. Saíram de Montemor, e ele até vai acertando com as indicações. Tudo bem. Só que mandou-os ir por uma estrada em péssimo estado de conservação. Headache já fez viagens de barco com menos ondas que aquela estrada, toda arrebentadinha das raízes das majestosas árvores que a ladeavam. Ele sofre de enjoo, que raio! Até que a sra do GPS** sofre um amuo (é sensível, a gaja), decide calar-se e Headache leva o carro para o caminho não-preferencial. GPS indica então que estão no meio da floresta (!!!). Mas estavam no meio da estrada. Lá um senhor indica o percurso (Headache é um homem que admite estar perdido), e chegam a Ribas. Finalmente. Às 11h30! Atraso provocado pela sra. do cabeleireiro e pela sra. do GPS.

5. Ribas estava acometida de meia população de Lisboa, a julgar pelo aparato de carros estacionados. O atrasado casal reúne-se com amigos de longa data. Mesmo a horas, porque já está tudo a enfiar-se nos carros para ir para a Igreja. Em Maiorca. Que fica muito mais perto de Montemor. Voltinha desnecessária, porque nem sequer se comeu nada assim.

6. Alegre e loooooooooonga procissão até Maiorca. Por caminhos muito estreitos por vezes. Um engano aqui, outro engano ali, e o carro da frente da procissão vai dar a um sitio onde fica impedido. Tudo a fazer marcha-atrás, e ganha-se um novo líder. Será que o novo líder sabe o caminho?

7. Até sabia. Depois de umas valentes voltas em Maiorca, este vosso narrador lá estaciona o carro. Mal. Imediatamente a seguir a uma curva fechada num cruzamento. Lá se dirigem para a igreja. Cedo se tornou evidente que a Igreja era até relativamente grande, mas não para os quase 300 convidados. O par de sucesso fica cá atrás, a ouvir uma liturgia dada por um padre que:
a) não falava particularmente alto
b) não ligou o microfone
Resumindo: da segunda fila para trás ninguém deve ter escutado nada de jeito.

8. De notar que o noivo apresentou-se de muletas.
Porquê de muletas, indagou-se na altura.
Ao que consta, o noivo teve uma despedida de solteiro de 4 dias em Barcelona. A cadela era de tal maneira descomunal que partiu um pé E NÃO SE LEMBRA SEQUER. Resumindo e concluindo: só pode ter sido uma despedida de solteiro em grande. Daí a alcunha de Saci.

9. Sai tudo cá para fora, para esturricar um bocadinho ao estranhamente acolhedor sol que se fez sentir. Aparece um saco de 5 kgs de arroz. Não podia correr bem...
Saiem os noivos e levam com mais arroz que uma cabidela. Missão cumprida.

Noiva e Noivo. Ou Emília e Saci. Caras obscurecidas para protecção da identidade. Acabadinhos de enforc... quer dizer, casar!

Mais um post se segue, aguardem...

* - eh pá, um pesseguinho e um gloss nunca fizeram de um homem menos homem, tá?
** - GPS falava com voz de gaja

6 comments:

Morceguinho said...

foi grande aventura mesmo!
sim, o caminho de Ribas a Maiorca era algo de extraordinário! e terras piquenas não têm capacidade para muitos popós!

ah, o noivo não partiu o pé, fez ruptura de ligamentos! enfim, ao menos há de se ter divertido até esse ponto!... muito :D

Restelo said...

5kg de arroz num saco mais 4 kg que estavam divididos entre cesto e suportes de papel (que também tinham algumas pétalas). Total 9kg de arrozal!

wednesday said...

ehehhh:P

isso de marcar cabeleireiros em terras desconhecidas... Olha eu para o último casamento fiz um penteado sozinha, em casa e ficou bem giro!;) Não estava profissional, mas poupei €€ e tempo e posso dizer que fui eu q fiz. Também para estar às 10h da manhã em Setúbal, em cabeleireiro não ir ser fácil.

Restelo said...

podes depois desenvolver essa coisa do pêssego e do gloss. Homem que é homem, não usa gloss, usa creme para cieiro branco.

Rui A. said...

O que eu gosto é que a noiva saiu da igreja a fazer os devil's horns!! ROCK'N'ROLL!!!

Papoila said...

A noiva é metaleira????? LINDO!