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14/06/2007

desibernar

(se é que semelhante palavra existe!)

Pois, lá fui ao sô dótor! E, tentando ultrapassar a barreira linguística, lá expliquei de que me queixava e ele me disse o que se passava, especialmente após um mini-teste auditivo! (vá lá, era em "bips"! extremamente internacional!) Resultado: como eu já sabia, a minha orelha esquerda era puramente decorativa e a outra ainda dava pró gasto!
Entao, pimba! antibióticos para cima e mais drogas para uma rinite e sinOsite galopantes! Loucura, delírio.
"olhe, venha cá para a semana para vermos como está isso!" (traducao livre)

Hoje sou uma crianca mais saudável e já consigo ouvir!!!

12/06/2007

hibernar

Como era de esperar, dadas as grandes variacoes no tempo, adoeci! "Cabronje"! Há 8 dias que nao sei o que é respirar bem, ter a sensacao de cheiro e gosto em condicoes e, no meio da minha enfermidade, ensurdeci! Sabem quando vao nadar e entra água para os ouvidos? Parece que se ouve as coisas a meio gás, "debaixo de água"... É como eu ouco já há 5 dias! -se!
Entao, o que faz uma "gaija" quando está doente que parece que levou um "enxerto de pancada"??? Fica de molho em casa, isolada do mundo e das pessoas... E se tiver de sair do ninho anda muuuuuuiiiiiiiitttttoooooo de-va-gar para nao cair para o lado!
Muito filme vi e muito caldinho de galinha comi/bebi e outras coisas boas para o doente! Também nao dava para sentir o sabor das coisas de qualquer maneira. Apostei no nutritivo e lixei pró saboroso! Só me faltaram mimos de mamae! Acho que com isso já estava fina. Enfim, contrariedades.

Hoje foi o dia do regresso ao trabalho, tanto quanto é possível, e ainda vou tentar ir ao médico! A comunicacao vai complicada e interessante! Pelo sim pelo nao, vou a um otorrinolaringologista para ser mais específico e diminuir hipótese de mal-entendidos! Espero que o inglês do senhor seja melhor que o meu alemao... Bem, linguagem gestual também serve!
O que vale é que o contacto físico entre as pessoas por estes lados é reduzida. Nao há grandes riscos de contaminar ninguém e nao tenho de fazer a cena de "ai, tou doente, afasta-te!"...

Enfim, azares, azares, aventuras, aventuras!

22/01/2007

Mijo radioactivo e vidros embaciados

Segue-se mais uma descrição de um procedimento médico. Mas desta vez prometo que não é nojenta. Apenas envolve alguns fetishes mais kinky, mai nada.

Hoje o menino foi de manhã fazer aquilo a que se chama de "Exame Respiratório com Ureia marcada com Carbono 13." Nome pomposo.

"Serve para quê?", oiço-vos já a perguntar em coro. É simples. Para quem tem ou teve uma úlcera provocada pela p**a da bactéria Helicobacter Pilorii, este exame permite determinar se a gaja ainda está dentro de nós ou não. Para o corpo humano, a ureia é um meabolito, i.e. um produto final das nossas actividades celulares. Depois dos outros compostos todos se transformarem em ureia, esta é removida nos rins e ala para a bexiga. Mas para a bactéria, a ureia é alimento. E se ela existir, será a única coisa no corpo que tem capacidade de transformar a ureia noutra coisa qualquer: neste caso, CO2 (dióxido de carbono) e NH3 (amoníaco).

O CO2 produzido pela degradação da ureia radioactiva que se toma é libertado na respiração. E aí é que entra a magia da coisa. Se expelirmos apenas mijo radioactivo, então não há bactéria. Se expelirmos bafo radioactivo, então a gaja ainda cá anda.

E no que é que consiste o exame dito cujo?

Chegar
Esperar
Beber um líquido amarelo que sabia levemente a laranja, e ardia na garganta (julguei de inicio que era a ureia, porque parecia mesmo mijo). Era um lindo copo de 3. O líquido em questão era ácido cítrico, para activar a coisa.
Esperar
Soprar por uma palhinha para dentro de dois tubos de vidro
Esperar
Beber um shot de ureia radioactiva (é amarguinha, por sinal)
Esperar
Respirar para mais dois tubos com mais uma palhinha.
Esperar.
Pagar e sair.

Nunca fiz um exame em que se fizesse tão pouco mas se esperasse tanto.
Aconselho a experiência com o ácido cítrico, no entanto. Parece que estamos a beber Tang mesmo mau.

05/12/2006

Necessidade

PRECISO DE IPECACUANHA!

Post 222

Duas perguntas, uma retórica e outra não:

1 - Could you miss something you'd never had?
(retirado do livro The Bedroom Secrets of the Master Chefs, Irvine Welsh)

2 - Sabem a sensação de estarem tão doentes do estômago que só vos apetece vomitar (e não conseguem) e terem que ficar a trabalhar, mesmo naquela altura em que sentimos uma dor de cabeça horrenda?

Adivinhem qual é a retórica.

P.S.-Estou meeesmo mal

27/10/2006

A EMG foi OK

Primeiro dos primeiros: recuperei o meu computador, desta vez levou umas quantas partições no disco para ver se consigo isolar o mau sector que lhe anda a causar as chatices. Agora vem a comédia.

Fui hoje fazer a ElectroMioGrafia, ou EMG, referida dois posts abaixo. Cheguei ligeiramente atrasado à Clínica CUF Sta. Maria de Belém, graças ao valente trânsito lisboeta, mas tudo bem porque não havia sido chamado.

Enquanto espero estava lá, ao meu lado também para fazer uma EMG um senhor ucraniano de seu nome Oleg (sei o nome porque a enfermeira o chamou assim). O senhor Oleg, para quem me conhece, era maior que eu em tudo. Mais alto, mais encorpado, e com um olhar de quem come criancinhas ao pequeno-almoço. Este senhor impunha respeito.

Mais a mais porque o senhor Oleg das três uma:
- ou andou na tropa
- ou andou na prisão
- ou pertence a uma máfia ucraniana
digo isto porque o cavalheiro em questão tinha uma tatuagem na mão esquerda, no metacarpo do polegar. Não a entendi porque estava em alfabeto cirílico. Mas pronto, como era feita a azul-cor-de-prisão e era mal-feita e com traço grosso tal-e-qual-como-na-choça-ou-na-tropa, presumi que o Sr. Oleg era rijo como uma viga e feroz como um touro.

Ele entrou antes de mim, para fazer exactamente o mesmo que eu fiz.

Afinal o Sr. Oleg tem medo de agulhas. Sempre que o médico lhe espetava uma agulha (pelo menos 5 picadas na perna afectada) o cavalheiro mandava um berro. E como temos que flectir os músculos enquanto as agulhas estão espetadas, o Sr. Oleg fazia sentir-se em no terceiro andar da clínica ao berrar "Au, pára pára, dôi, dôi!". Bem que ouvia o médico a tentar acalmá-lo, mas nada.

Resultado: o Sr. Oleg demorou quase 30 minutos a completar o exame. E sai de lá completamente combalido, a andar agarrado à parede (juro!).

Depois desta demonstração aterradora de dor e sofrimento, qualquer um ficaria assustado antes de entrar para o exame. Mas aqui o vosso intrépido escriba vira-se logo para o médico quando entra e pergunta: "mas afinal vai fazer-me o quê, que deixou ali o outro paciente aos berros?".

Responde ele: "primeiro vou dar-lhe uns choques eléctricos, e depois vou espetar-lhe umas agulhas".

Fiquei logo mais descansado. CUM CATANO! :P

Começa o exame. Pergunto sobre a intensidade dos choques. "Ah e tal, isto são só alguns miliAmpéres". "Tudo bem", digo eu. Vira-se ele "Mas a diferença de potencial é que são uns 220V". De repente vem-me à cabeça os gritos do nosso camarada soviético.

E o médico manda-me um choque e mal o sinto. "Foi só isto?". "Não é mais que isto", responde ele. O choque não se sente sequer, a sensação é igual a testar o reflexo no joelho com um martelinho. É mesmo só isso. "Oh Doutor, mande lá mais choques que isso nem se sentiu". E manda mais uns dois ou três, fraquíssimos enquanto dizia "não o quero fritar, pá, choques eléctricos não são tortura!". E riu-se. AI NÃO??? Vou dizer isso ao Oleg então. Ou aos presos políticos.

Começa o festival do furinho. Começa a espetar-me agulhas perna acima e perna abaixo, enquanto pede para flectir músculos variados. Para variar, nem sentia a agulha a entrar pelo músculo adentro, nem a sentia enquanto tinha que flectir o músculo respectivo onde a dita cuja estava espetada. Maldito sejas Oleg, pregaste-me um cagaço com um exame que não doeu nadinha de nada. Na União Soviética aposto que faziam-te o exame com agulhas de tricot ferrugentas, ainda se queixava ele de umas picadinhas de nada. Volta lá para a tua máfia a espancar as pessoas, que o teu medo de agulhas fica bem seguro comigo.

Ah, e o resultado do exame: nada na perna, pode ser algo na coluna (ah pois, depois de me furar ambas as pernas ainda levo com a agulhas nas costas), mas nada para me preocupar para já.

Mas tenho uma pontaria com aquele terceiro andar da CUF... quando fiz a endoscopia alta estava uma mulherzinha no gabinete do lado a fazer uma baixa e a berrar a plenos pulmões. Desta vez foi o nosso camarada aos berros. Será que a minha presença traz dor e sofrimento aos restantes pacientes?



P.S.- Agora que está mais ou menos provada a minha insensibilidade a agulhas na pele (algo que eu já desconfiava), acho que vou fazer uma tattoo.

19/10/2006

Eiia cum catano! Vai buscá-lo!


W00t! Soube a semana passada que vou fazer uma electromiografia! Fenomenal! Consiste em enfiar eléctrodos (leia-se: agulhas) no músculo afectado e medir a resposta eléctrica. Podem ler o que diz a wikipedia sobre o procedimento:

"To perform EMG, needle electrodes are inserted through the skin into the muscle tissue. A medical doctor (most often a physiatrist or neurologist) observes the electrical activity while inserting the electrode. The insertional activity provides valuable information about the state of the muscle and its innervating nerve. Normal muscles at rest make certain, normal electrical sounds when the needle is inserted into them. Then the electrical activity when the muscle is at rest is studied. Abnormal spontaneous activity might indicate some nerve and/or muscle damage. Then the patient is asked to contract the muscle smoothly. The shape, size and frequency of the resulting motor unit potentials is judged. Then the electode is retracted a few millimeters, and again the activity is analyzed until at least 10-20 units have been collected. Each electrode track gives only a very local picture of the activity of the whole muscle. Because skeletal muscles differ in the inner structure, the electrode has to be placed at various locations to obtain an accurate study."

Tudo isto porque há umas 3 semanas que tenho uma dor constante na face exterior da coxa esquerda. Tal e qual o House. Será que vou passar a andar de bengala e a tomar Vicodins como se fossem rebuçados? É que dá um estilo imenso...


(dispenso a barba e o look blazer+ténis costumeiro do personagem).

22/06/2006

Experiência Nojenta


NOTA AOS LEITORES: A SEGUINTE DESCRIÇÃO É DE UM PROCEDIMENTO MÉDICO CHAMADO ENDOSCOPIA ALTA. SE SÃO IMPRESSIONÁVEIS, NÃO LEIAM. ESTOU A FALAR A SÉRIO.

Hoje fiz a minha primeira (e espero que última) endoscopia. Um procedimento médico que aconselho vivamente a toda a gente que experimente pelo menos uma vez na vida.

Cheguei, sentei-me. "Abre a boca", disse o médico. Quê, é logo assim? Nem sequer me leva a jantar primeiro (Nota: eram isto 15h e eu ainda sem comer fosse o que fosse)? Nem sequer uns beijinhos? É logo "abre a moela"? Dass!

Levo de rajada com quatro bombadas de um spray anestésico (xilocaína). Sabe mal como tudo. Mas deixa uma sensação agradável de frescura na boca.

"Agora deita-te". Ah, ao menos não tenho que o fazer sentado. Valha-nos isso. Deram-me uma espécie de cilindro de plástico (com um buraco no meio para passar o tubo) para pôr na boca e morder - era a garantia que não fechava a boca sobre o tubo e partia aquilo tudo. Que bonito. Preocupam-se mais com o equipamento que com os meus dentes.

"Agora vou passar com o tubo devagarinho na tua língua". Se não soubessem que estava a falar de uma endoscopia, mais parece a descrição de um encontro homossexual. Mas adiante. Não custa nada a passar pela língua. O pior vem depois.

"Quando eu te mandar engolir, engoles". Mais uma descrição perfeita para um encontro gay. Porra. Mas a seguir "e depois não engoles mais, deixa a saliva escorrer". Mas-que-por-ca-ri-a!

O Pedro tenta engolir, mas o tubo não passa à primeira. Aleluia! Será a minha garganta um bastião de resistência anti-gay? Á segunda tentativa o médico não é tão meigo e empurra o endoscópio com determinação. Barreira anti-gay derrotada. Porra.

Começam os problemas de respiração, porque se tem algo não-tão-fininho-assim a passar no canal por onde o ar tb deve passar. A saliva flui abundantemente mas a marquesa já está toda plastificada (e o minha roupa toda coberta) exactamente já a pensar nos fluidos que se hão-de-escapar.

A ordem era "não engolir". Mas mais à frente explico porquê.

O exame em si nem é muito desconfortável, não fosse o facto de:

- Custar a respirar um bocadinho
- Estarem a bombear constantemente ar para dentro do estômago, e sente-se perfeitamente a barriga a inchar. Obviamente, manda-se cada arroto durante a endoscopia que até um camionista endurecido pela estrada coraria de vergonha. Davam para recitar o alfabeto, alguns deles.
- Inevitavelmente, vomitar. O estômago sente um corpo estranho a roçar nas suas paredes (a sonda) e tenta expulsá-lo. O meu tentou expulsá-lo umas 4 vezes. Ena. Era tanto ácido a sair que até me limpou o tártaro dos dentes (mais uma vez, a mesa plastificada justifica-se). A enfermeira, muito querida, como me contorcia durante os vómitos, achou por bem espalmar a sua mão na minha cara e segurar-me com força contra a marquesa para não mover a cabeça.

Agora, porque diziam eles para não engolir? Simples. Com o endoscópio a passar muito perto da traqueia (para baixo) e o ácido no estômago e os arrotos a passarem em sentido contrário, se decidirmos engolir estagnamos o escoamento ascendente destes fluidos. E o que acontece?

Engasgamo-nos. Á séria.

O exame parou porque eu estava a sufocar, mas foi o tempo suficiente para o médico ver tudo.


Agora sei como se sentiram estes três:

(John Bonham, baterista dos Led Zeppelin; Janis Joplin; Jimi Hendrix)

Todos morreram asfixiados (depois de uma bela noite nos copos) porque se engasgaram com o vómito. Ena!
Resultado prático:
- Vomitei, e já não vomitava desde os 14 anos! Ena!
- Arrotei como um campeão.
- Sufoquei um bocadinho.
- E afinal, tenho uma úlcera no duodeno e cardia incontinente. Já tenho ali medicamentação para os próximos 6 meses!

W00t!

Depois disto, estou pronto para tudo! O problema é passar-se fooooooome durante o dia.
E lembrem-se meninos e meninas!
NÃO ENGULAM!

P.S.- Em todo o caso, recomendo o meu gastroenterologista, é um médico verdadeiramente bom. Dr. Reis Duarte. Ah, e peçam o drunfo antes da endoscopia. Não vos deixa a dormir, mas deixa-vos nas nuvens. Eu não tomei. Também não havia. Foi azar...

02/06/2006

Maldito estômago

Alguns de vocês já sabem que andei durante os últimos dois meses a tomar uns comprimidos mágicos para o refluxo ácido que me afectava fortemente.

Acabei os comprimidos na segunda-feira.

Desde terça que tenho azias ainda mais fortes do que antes. Até beber água me faz mal agora. Dass! Estômago de um real c****o!